François-René, Vicomte de Chateaubriand
( Saint Malo 4 Set. 1768 - Paris 4 Jul. 1848 ) escritor Francês, político, diplomata e viajante. Infelizmente mais conhecido pelo prato "bife à Chateaubriand", do que por seus escritos, e a alguns leitores brasileiros devemos lembrar-lhes que o paraibano Assis Chateaubriand foi assim batizado em homenagem ao Francês. Observador privilegiado da história, assistiu a queda da Bastilha quando ainda era um jovem nobre de vinte anos, a ascenção e queda de Napoleão, a restauração dos Bourbons, e finalmente, a nova república, o socialismo e viu Lamartine ministro antes de falecer em 1848. É considerado como o pai do Romantismo Francês, a quem Victor Hugo toma como modelo.
Vida
Nasceu em Saint-Malo e cresceu no castelo da família aristocrata. Em 1791, visitou a América do Norte,que forneceu o material para seus exóticos romances Les Natchez (escrito em 1800 mas publicado somente em 1826), Atala (1801) e René (1802). Sua descrição da natureza, escrita em um estilo inovador à época tornou-se o núcleo do Romantismo na França. .
Com o advento da Revolução Francesa foi forçado ao exílio, primeiro na Suiça, depois ferido em batalha terminou seu exílio na Inglaterra. Em Londres viveu em extrema pobreza como professor de Francês e tradutor, porém tornou-se familiar com a literatura inglesa, em particular de Paraiso Perdido de Milton, que traduziu mais tarde para o Francês, que exerceu profunda influência em seu trabalho literário. Retornou à França após a ascenção de Napoleão em 1800 e torna-se editor do jornal Mercure de France. Surpreede a todos em 1802 com "Le Génie du Christianisme" - "O gênio do Cristianismo" , uma apologia à fé cristã que contribui para reavivar o catolicismo na França pós revolucionária e anti-clerical, daí seu merecido respeito como "escritor católico".
Napoleão indicou-o como secretário do embaixador no Vaticano. Defendeu a liberdade de imprensa e, como Byron, a independência da Grécia. Planejou escrever em prosa épica a perseguição romana aos primeiros cristãos. Viaja à Jerusalem visitando a Grécia, Egito e Palestina, e os escritos de viagem compõe Itinéraire de Paris à Jérusalem (Intinerário de Paris a Jerusalém) publicado em 1811 na busca de material para este livro, denominado Les Martyrs - Os Mártires (1809). Retornado à França critica severamente Napoleão comparando-o a Nero. O imperador obriga-o a viver fora de Paris.
Viveu o turbulento período da queda de Napoleão, da restauração dos Bourbons e recusou-se a obedecer ao rei Louis-Phillipe abandonando a carreira política. Embora tenha escrito desde 1811 suas memórias, com a finalidade de ser publicada como obra póstumas, pressionado por dificuldades financeiras aceita a publicar partes destas memórias, alterando o título de "Mémoires de ma vie " (Memórias de Minha Vida) para "Mémoires d´Outre-Tombe" (Memórias de Além-Túmulo) em 1832, com o melancólico e magnífico prefácio - "Preface Testamentaire". Embora se considerasse à beira do túmulo, viverá mais 16 anos e colocando o ponto final nestas memórias em 1844 dois anos antes de falecer em Paris.
Obras
| Essai sur les révolutions | 1797 | ensaio |
| Atala | 1801 | romance |
| René | 1802 | romance |
| Génie du christianisme | 1802 | ensaio |
| Les Martyrs | 1809 | ensaio |
| Intinerário de Paris à Jérusalem | 1811 | ensaio |
| Moïse | 1811 | teatro |
| Mémoires de ma vie | 1812 | memórias |
| Mémoires sur la vie et la mort du duc de Berry | 1820 | ensaio |
| Les Natchez | 1826 | ensaio |
| Les Aventures du dernier Abencérage | 1826 | ensaio |
| Études historiques | 1831 | ensaio |
| La Vie de Rancé | 1844 | ensaio |
| Mémoires d'Outre-Tombe | 1848-1850 | memórias |
Notas: Machado de Assis e Chateaubriand.
A inegável influência de Chateaubriand sobre o jovem Machado é ignorada pela maioria dos seus biógrafos, exceto ao atento francês J. M. Massa "A Juventude de Machado de Assis". Que Chateaubriand fosse um modelo no Romantismo brasileiro, em particular em José de Alencar, bem o demonstra Alfredo Bosi em "História Concisa da Literatura Brasileira" . Certamente não era a descrição romântica que Machado seguia como modelo, por mais que a admirasse, como comenta na Crônica [111] sobre os sinos. O modelo perseguido por Machado estava no estilo, na escrita refinada e melancólica de Chateaubriand.
No que restou da biblioteca de Machado, consta dois volumes :
[562] Atala - René - Les Natchez - no original em Francês [?].
[563] Lectures choisisies - Garnier [1896]
Machado cita Chateaubriand em suas crônicas [101] e Crítica [O passado, o presente e o futuro da Literatura] desde a idade de 19 anos. Deve ter aprendido Francês lendo Chateaubriand, e ninguém esquece os autores com quem conviveu a primeira vez através de uma língua estrangeira.
Para saber mais, outros links
| Catholic Encyclopedia Article | Inglês | o escritor católico |
| Maison de Chateaubriand à la Vallée-aux-Loups | Francês | excelente bibliografia |
| Gallica - Biblioteque National de France | Francês | obras completas |
| Poetas Franceses | Francês | obras completas detalhadas |