Borges, Jorge Luiz
(1899-1986)

 

Vida e Obra

Crítica

 

Frases

Borges e o Brasil

 

Bibliografia

Sítios relacionados

Foto de 1982
 

VIDA E OBRA

Nasceu em Buenos Aires, filho de um advogado intelectual e professor de psicologia e uma tradutora.. Em casa a língua comum era tanto o inglês como o espanhol, e Borges aprendeu primeiro a ler em inglês (insólito é que tenha lido Don Quixote em inglês antes do espanhol). Entre 1914 e 1918, viveu em Zurich onde aprendeu Francês e Alemão e Latim. Perambularam pela Europa, Espanha em particular, até retornar a Buenos Aires em 1921. Passou a escrever poemas e a colaborar com revistas literárias (Martin Fierro, Sur, Crítica, el Hogar e outros efêmeros)

Publica sua coleção de poemas Fervor de Buenos Aires (1923). Embora o autor renegue a qualidade literária destes primeiros versos, confessa em "Ensaio autobiográfico" , que passou a vida reescrevendo o que tinha escrito pela primeira vez aos vinte anos

"Receio que o livro fosse um pudim de passas - havia coisas demais nele. E contudo, recordando-o agora, penso que nunca o ultrapassei. Tudo o que escrevi depois foi uma evolução dos temas ali tratados pela primeira vez. Sinto que durante toda minha vido estou reescrevendo aquele livro".

Em 1939, após o falecimento do seu pai em 1938, bate com a cabeça em uma escada, sofre de uma grave infecção e quase sucumbe a uma septicemia. No hospital teve pesadelos pavorosos e depois de uma lenta recuperação chegou a duvidar de sua saúde mental e capacidade de escrever. Recuperado, escreveu seus principais ensaios "El jardin de los senderos que se bifurcan (1941)", que depois foram agregados outros ensaios no livro Ficciones (1944). Ficciones contém três ensaios que são considerados os melhores, inclusive pelo próprio autor e pela crítica.

Embora Borges continuasse a escrever por mais de 50 anos, estes ensaios da maturidade por si só seriam suficientes para garantir-lhe o respeito intelectual.

Desde 1937 Borges tinha o cargo de um bibliotecário auxiliar em uma pequena sucursal da Biblioteca Municipal de Buenos Aires. Ali, fonte de inspiração para Biblioteca de Babel, pode dedicar-se à leitura. Em "Um Ensaio autobiográfico " confessa que leu e releu Dante enquanto passava o tempo na Biblioteca. Em 1946, com a ascensão do Ditador Perón, Borges é transferido da Biblioteca para fiscal das feiras de animais. Indignado com a perseguição política, pediu demissão e passou a fazer conferências sobre autores e literatura, ganhando o respeito como o culto orador que ora observamos em El Libro. Embora sua atuação política anterior limitasse a enventuais assinaturas de apoio à luta contra o Nazismo na Segunda Guerra, contra a ditadura peronista escreveu à associação de escritores argentinos " a ditadura alimenta a opressão, a servidão, a crueldade, e o que é pior alimenta a idiotia.". Seu anti-peronismo foi confundido como apoio aos regimes militares. Em 1950 perde totalmente a visão, que vinha se deteriorando gradualmente, a exemplo de seu pai.

Somente em 1955, com o golpe militar que apeia Perón do poder, Borges com o apoio do Clube dos Escritores Argentinos, em particular de sua amiga Victoria Ocampo (a quem dedica Pierre Menard), intelectual influente, é nomeado diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. De forma tristemente irônica Borges declama no poema "el poema de los dones ":

Nadie rebaje a lágrima o reproche Ninguém verta lágrimas ou censure
Esta demostración de la maestría Esta demonstração de sabedoria
De Dios, que con magnífica ironía De Deus, que com grande ironia
Me dio a la vez los libros y la noche. Me deu ao mesmo tempo os livros e a noite

Em 1956 é escolhido Professor da cadeira de Literatura Inglêsa da Universidade de Buenos Aires, aonde permanecerá até 1970. Em "uma autobiografia", Borges irônicamente diz : Em vez dos demais que enviaram grossos currículos, eu simplesmente escrevi - "Muito inadvertidamente, tenho me qualificado para esse cargo durante toda a vida".

Em 1973 com a reeleição de Péron à presidência da Argentina, Borges demite-se do cargo de Diretor da Biblioteca Nacional.

Borges teve como amiga e secretária sua mãe que o acompanhou por toda a vida, até falecer em 1975 aos 99 anos. Depois de um breve casamento de 3 anos, passou a viver com Maria Kodama com que se casou em 1986 meses antes de falecer.


Crítica

Comecemos pela auto-crítica:

" Exageraram o valor de meus livros. Porém alguma coisa pode-se salvar. Como todos os escritores escrevi centas de páginas para se salvar uma linha. Me incomoda o estilo barroco de meus primeiros livros, vejo agora que o barroco é um pecado da vaidade. Este pecado é facilmente observável em El Aleph e Ficciones."

A julgar pelo número de teses e ensaios disponíveis não falta assunto aos críticos e analistas de Borges. Devido à diáspora dos intelectuais argentinos este material está disperso em várias partes do mundo. Um esforço de consolidação das análises críticas está no Centro de Estudos e Documentação Jorge Luiz Borges - na Universidade de AARHUS - Dinamarca.

A importância da obra de Borges é reconhecida na seleta inclusão de 26 autores que marcaram a literatura mundial feita por Harold Bloom - "O Cânone Ocidental ", (ISBN 8573020512) . Bloom coloca Borges e Neruda (uma companhia que incomoda Borges) dentre os fundadores da literatura hispano americana do século 20. Escolhe o conto "A morte e Bússola" como como favorita em o "Cânone" , porém em "Como e Por Que Ler" (ISBN 8537023473) Blom indica "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" como um exemplo de conto fantástico, sucessor de Kafka. Para ele , e nós, " Borges encanta-nos e transporta-nos a um mundo de forças impessoais onde a memória de Shakespeare constitui um imenso abismo, capaz de tragar-nos, fazendo com que percamos quaisquer resquícios da nossa pessoa, pg. 53". Bloom coloca Borges, Kafka e Becket (com quem dividiu o prêmio Formentor em 1961, porém Borges limitou-se a ler "Esperando Godot", sem apreciá-lo). Porém na análise crítica de Bloom Borges não ocupará um papel central . " Uma comparação de seus contos com o de Kafka, não lhe é de modo algum lisonjeira, mas parece inevitável, em parte porque ele tão frequentemente invoca Kafka. O melhor de Beckett sustenta uma intensa releitura o contrário de Borges. Apesar disto de todos os autores latino-americanos do século 20 ele é o mais universal. Se lemos Borges com frequência e atenção, tornamo-os assim como borgesianos, porque lê-lo é ativar uma consciência da literatura na qual ele foi mais longe do que qualquer outro."

Entre os latino americanos, o crítico literário e professor de Yale, uruguaio Emir Rodrigues Monegal (1921-1985) foi um dos primeiros a mostrar a importância de Borges, divulgou sua literatura nos Estados Unidos e fez uma cuidadosa biografia "Jorge Luis Borges: A Literary Biography (1978)."

Em espanhol, a Biblioteca Virtual Cervantes acolhe ensaios e críticas várias ao trabalho de Borges


Frases

Muitas coisas se diz sobre Borges, em particular suas opiniões políticas. Muitos se orgulham de um dia ter trocado alguma frase com ele.

Prêmio Nobel

Em 18 de outubro de 1979, data da anunciação do Nobel que ele concorria, e fora outorgado a um ignoto escritor grego "Odysseus Elytis " , Borges respondeu a Sandra Pien que foi entrevistá-lo: " Não se preocupe, trata-se de uma situação que antes de machucar me diverte. Tenho pena sim dos argentinos, que sentem como se fora a perda de um campeonato de futebol "

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Em Roma, 1981, em uma entrevista com jornalistas:

Jornalista : "A que voce atribuiu não ter sido outorgado até agora com o prêmio Nobel? "

Borges:" À sabedoria sueca"

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"O fato que tenham dado a Gabriel Garcia Marquez e não a mim revela a sensatez da academia sueca."

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Pessoais:

"Existe Borges em demasia. Voce talvez esteja falando com um terceiro ou quarto Borges."

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"Creio que as opiniões de um escritor não devem interferir em sua sua obra. O processo poético é misterioso; temos que deixá-lo por sua própria conta"

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"não tem uma página minha, por mais descuidada e espontânea que seja, que não tenha exigido vários e vacilantes rascunhos"

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"Encontrei quase tudo nos livros. Não sei se sou um bom ou medíocre escritor, porém sei que sou um bom leitor. Um livro é uma coisa entre as demais. Porém quando alguém abre algum livro e o lê com devoção e generosidade então ressucita Emerson que diz:(uma biblioteca é como um gabinete mágico que está cheio de espíritos que dormem nos livros)"

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"Sou um homem de letras, nada mais. Não estou certo de ter pensado nada de original em minha vida. Sou um fazedor de sonhos."

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"Se recuperasse a visão, não sairia desta casa, ficaria lendo os muitos livros que estão aqui, tão perto e tão longe de mim, ficaria lendo"

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"Acontece que não gosto do que escreveo. Nesta casa voce não encontrará um único livro meu, pois quem sou eu para ombrear-me com Euclides da Cunha, Camões ou Montaigne?"

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"Li muito pouco, sempre releio os mesmos livros, e a literatura contemporânea, não a conheço".

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"Nã tenho genialidade alguma. Sou um pequeno ecritor sul-americano, nada mais, um mínimo argentino. ..Estamos em plena decadência, No século 19 eu teria passado despercebido, já este pobre século presta atenção em mim. Não creio ser um bom escritor. "

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"Penso a leitura como um ato criativo. Porém, repito, a emoção é necessária: sem emoção não se pode escrever. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve, ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária, e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos, não às meras circustâncias".


Borges e o Brasil

Exceto Euclides da Cunha, não consta que Borges tenha tomado contato com a literatura brasileira. Dentre os portugueses admira Eça de Queiroz e Camões, talvez desconheça Fernando Pessoa. Mário de Andrade porém, atento ao que se passava em Buenos Aires, leitor da revista literária Martin Fierro saúda os jovens poetas argentinos, veja uma análise comparada em português. Diferente de Mário de Andrade que busca uma raiz brasileira, Borges não aceita uma literatura latino-americana.

" Creio que somos todos europeus desterrados, nossa cultura é a cultura ocidental e não a indígena. Não sei se a América Latina existe como comunidade, acho que ninguém se sente latino-americano. As pessoas podem ser mexicanas, argentinas, brasileiras, mas latino-americano acho que ninguém se sente, eu acho. "

Aos 86 anos recita de memória os versos de Gonçalves Dias que ouviu quando passou pelo Rio de Janeiro aos quinze anos:

"Minha terra tem palmeiras/Onde canta o sabiá;/ As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá."

Em 1970 recebe um prêmio Interamericano de Literatura "Matarazzo Sobrinho" (25.000 dólares) durante a Bienal do Livro no Primeiro Seminário de Literatura das Américas.

Foi homenageado em 1984 em uma visita a São Paulo, recebido por escritores e intelectuais. Esta visita e uma extensa e detalhada bibliografia de Borges no Brasil está consolidada no livro organizado por Jorge Schwartz - "Borges no Brasil " (Unesp, 2000 - ISBN 8571393575), a quem devo algumas das frases acima extraídas de entrevistas. A julgar por este levantamento, nota-se que Borges sempre esteve presente, a partir de 1970, no jornalismo literário brasileiro.

A pedido da Varig linhas aéreas escreveu para o público brasileiro. "Argentina: Um país maravilhoso"

Uma iniciativa importante foi a tradução de suas "Obras Completas" - por iniciativa de Jorge Schwartz , em 1998 pela Editora Globo, (vol. 1 - ISBN 85-250-2877-0), em particular a tradução de Ficções por Carlos Nejar.

Bibliografia

Poesia

 
Fervor de Buenos Aires (1923)
Luna de enfrente (1925)
Cuaderno San Martín (1929)
Poemas (1923-1943)
El hacedor (1960)
Para las seis cuerdas (1967)
El otro, el mismo (1969)
Elogio de la sombra (1969)
El oro de los tigres (1972)
La rosa prof tunda (1975)
Obra poética (1923-1976)
La moneda de hierro (1976)
Historia de la noche (1976)
La cifra (1981)
Los conjurados (1985)

ENSAIOS

 
Inquisiciones (1925)
El tamaño de mi esperanza (1926)
El idioma de los argentinos (1928)
Evaristo Carriego (1930)
Discusión (1932)
Historia de la eternidad (1936)
Aspectos de la poesía gauchesca (1950)
Otras inquisiciones (1952)
El congreso
(1971)
Libro de sueños (1976)

CONTOS

 
El jardín de senderos que se bifurcan (1941)
Ficciones (1944)
El Aleph (1949)
La muerte y la brújula (1951)
El informe Brodie (1970)
El libro de arena (1975)

Diversos

 
Historia universal de la infamia (1935)
El libro de los seres imaginarios (1968)
Atlas (1985)

EM COLABORAÇÃO COM
ADOLFO BIOY CASARES

 
Seis problemas para don Isidro Parodi (1942)
Un modelo para la muerte (1946)
Dos fantasías memorables (1946)
Los orilleros . roteiro cinema. (1955)
El paraíso de los creyentes. roteiro de cinama. (1955)
Nuevos cuentos de Bustos Domecq (1977)

COM OUTROS AUTORES

 
Antiguas literaturas germánicas - México (1951)
El "Martín Fierro" (1953)
Leopoldo Lugones (1955)
La hermana Eloísa (1955)
Manual de zoología fantástica -México (1957)
Antología de la literatura fantástica (1940)
Obras escogidas (1948)
Obras completas (1953)
Nueva antología personal (1968)
Obras completas (1972)
Prólogos (1975)
Obras completas en colaboración (1979)
Textos cautivos (1986)

Para saber mais

Português
uma visão sensível
Espanhol
uma da mais belas e completas páginas.

Inglês

um site completo

Bibliografia

Português

Obras Completas - Ed. Globo - Trad. Sérgio Molina, Carlos Nejar e outros - ISBN 85-250-2879-9

Vários Ensaios traduzidos

Espanhol

Obras Completas - Ed. EMECÉ - ISBN 84-7888-289-8

Referência - CD-ROM :Bibliografia Completa ISBN - 950-557-238-7