As biografias de Machado gostam de ressaltar o moleque mulato vendedor de balas que venceu no mundo das letras saindo do nada até ser presidente da Academia Brasileira de Letras. José Guilherme Merquior, sem desmerecer o esforço individual e o talento de Machado, alerta-nos de que esta ascenção não foi um acaso. Sua madrinha era uma rica senhora da sociedade carioca através da qual o menino de rua teve acesso a um mundo educado e de elevados padrões culturais. Na sociedade senhorial brasileira poucos, dentre os agregados, conseguem a ascenção social, Machado foi um ilustre e raro exemplo que optou pelo mundo da leitura e abandonou as ruas. Frequentou pouco a escola convencional, destinada a uma elite restrita, porém aprendeu o Latim e o estudo da Bíblia com auxílio de um padre amigo a quem serviu como sacristão.
Tipografia e Jornalismo - o mundo das letras
Machado desde os quinze anos frequentava o mundo dos jornalistas. Iniciou como ajudante de tipógrafo, depois passou a publicar poesias, prossegue na carreira como jornalista abolicionista e anti-clerical e , mais tarde jornalista político, crítico teatral e finalmente cronista . Este rico aprendizado de vida fora dos bancos escolares, começando aos 17 anos como tipógrafo aprendiz na Imprensa Nacional permitiu ao futuro autor colher os elementos humanos para criar personagens e episódios dos romances e contos. A introdução da tipografia mecânica e do papel permitiu o florescimento da imprensa semanal e diária. O avanço da tipografia permitiu a abertura de jornais com grande facilidade, ao mesmo tempo que condenava-os ao fracasso após poucas edições. Desde a Marmota até a Revista da Academia Brasileira de Letras, o escritor contribui nestes 53 anos de vida literária para mais de 35 periódicos, entre revistas e jornais. A atividade literária de Machado dividiu-se entre o romancista e o jornalista. Esta duplicidade, um caso raro entre os romancistas, e praticamente ausente hoje em dia, permite-nos a comparação entre os textos de ficção frutos da imaginação daqueles que buscam decifrar os fatos do cotidiano através das crônicas.