A Poesia e o Teatro
O primeiro poema "Ela" foi publicado em 12 de janeiro de 1855, aos quinze anos. Muitos destes poemas de juventude foram renegados pelo autor na coletânea de 22 poemas originais do primeiro livro Crisálidas (1864)
O cuidado na seleção das poesias em sua forma definitiva em Poesias Completas (1901) mostra o método do escritor. Primeiro escreve com impulso e paixão, depois vai depurando e podando o que considera um excesso e aqueles que considera sem mérito para apreacição definitiva dos. Os poemas de juventude revelam o amor impossível, inspirado nas musas da época: atrizes e cantoras. O romantismo está presente nas homenagens a Álvares de Azevedo, Byron e Chatterton. Na dedicatórias do poeta gravam-se o agradecimento aos amigos e mestres - Padre Silveira Sarmento e Antonio F.Xavier de Novais , irmão de Carolina sua futura esposa. Os mais belos poemas de Machado foram produzidos de modo avulso entre 1878 a 1901 denominados Cantos Ocidentais, publicados em 1901 como Ocidentais. No conto A Chave (1879) Machado ironiza a si mesmo como poeta que se utiliza de outros na epígrafe, poeta amador e ardoroso.
Em 1857, aos dezoito anos portanto, Machado demonstra domínio do Francês e passa a escrever ensaios e crônicas além da poesia. Neste ano o poeta que se inicia na prosa traduz alguns capítulos de Lamartine. Além da poesia, o teatro era o espaço do aplauso e reconhecimento público imediato. Machado estudou o teatro clássico profundamente, toda sua obra esta permeada de Shakespeare e citações de Racine, Molière e Corneille. Na segunda metade do século 19 o teatro clássico se renovava com as comédias, a Ópera e a comédia musical francesa. A Dama das Camélias fez enorme sucesso no Ginásio Dramático em 1856, quatro anos apenas de sua apresentação em Paris. Machado nunca foi tão espontâneo e sincero como em suas críticas teatrais na coluna "Revista dos Teatros" do Espelho em 1859 - Leia algumas na íntegra, vale a pena se você gosta de teatro e literatura . Aos vinte anos consegue uma posição privilegiada com acesso ao teatro e ao público, pôde dizer livremente o que pensava, sem a dissimulação com que se cobriu na fase madura. Machado encontrou um tom coloquial de conversa com as "leitoras" , estabelecendo esta intimidade autor-leitor que o acompanhará em quase toda sua obra. Reservava um olho para o palco e outro para a platéia, ora comentando as incoerências do texto dramático ora como as damas movem os leques. Em um ensaio "Idéias sobre o Teatro " mostra-se um intelectual comprometido, propõe medidas práticas para ajudar o teatro nacional, é contra a visão comercial imediatista e propõe que os atores não sejam funcionários da arte mas artistas vocacionados para instruir o público. Para o jovem Machado o teatro era o único instrumento eficaz de que dispunha o escritor, pois comunicava-se diretamente com o público e permitia ao autor impor "a verdade". Em um artigo de 1859 sobre o Conservatório Dramático, posiciona-se contra a censura teatral. Porém três anos mais tarde, a convite de José de Alencar, exerce a função de Censor Teatral no Conservatório, com rigor e zelo. Através dos seus pareceres como censor observa-se que Machado (a) acompanhava com atenção e admiração o teatro moderno francês (b) acreditava no teatro como uma ferramenta de educação moral (c) Não tolerava o neologismo e o galicismo.
Além da crítica, Machado passou a escrever e traduzir peças, "Hoje Avental, Amanhã Luva! (1860) com o subtítulo "adaptação de uma peça francesa". Entre a primeira peça aos 21 anos e Tu, Só Tu, Puro Amor publicada 20 anos mais tarde, Machado escreveu uma dezena de peças, poucas foram representadas, como Desencantos (1861), nenhuma teve grande sucesso de público e na maioria das vezes os ensaios eram interrompidos por desavenças entre o autor e atores.