O trabalhador intelectual
Machado aos trinta e nove anos já não mais acreditava no caminho da Poesia nem do Teatro e aconselha o jovem poeta
João Guimarães Rosa (1908-1967), autor de Grande Sertão: Veredas(1956) era médico e diplomata. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987), cursou farmácia e foi professor de geografia, em 1933 transfere-se para o Rio e ingressa como funcionário no Ministério da Cultura. Em seu poema: Confidências de um Itabirano :
" Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público "
"o melhor dos mestres é o estudo; e a melhor das disciplinas, o trabalho."Estudo, trabalho e talento são a tríplice arma com que se conquista o triunfo"
Machado não só aconselhava estas virtudes como as praticava. O talento por si só não basta, antes há de vir o estudo e o trabalho. Não teve mestres, e apontava: o estudo é meu professor.
Os rendimentos da escrita não eram suficiente para uma vida modesta. A princípio vivia de bicos, como escrituário e jornalista. Sómente em 1873, depois de quatro anos de casado, conseguiu um emprego estável na Secretária da Agricultura, o equivalente ao cargo atual de secretário do Ministro.
Durante o expediente prevalece a figura do funcionário eficiente, admirado e cortês. Porém nas horas de folga e à noite virava a face da moeda e tornava-se em um escritor irônico, um mordaz analista das misérias humanas. Em um dos seus mais belos poemas, Machado exalta Spinoza. O filósofo que ganha o pão através do trabalho manual de polidor de lentes e nos devaneios livre para pensar e escrever. Com a cabeça na literatura passa o dia na rotina burocrática, servindo de agulha para muita linha odinária como confessa no Apólogo , não viajava, exceto duas viagens às serras do Rio (Nova Friburgo RJ em 1879 para tratamento de saúde e novamente um mês em 1904 para inutilmente tentar a cura da esposa Carolina ), temia o mar como descreve em Uma Excursão Milagrosa.
Traduziu peças francesas e um grande romance - Os Trabalhadores do Mar - de Vitor Hugo (1866), Na biblioteca do autor autores ingleses estão em versão francesas. Chegou a escrever poemas em Francês - Réfus e a traduzir do inglês Edgar A. Poe - O Corvo em 1870 começou uma tradução de Dickens Oliver Twist , a partir de uma versão francesa, que deixou incompleta. Machado provavelmente lia em Francês os originais ingleses. Mais tarde tentou aprender o Alemão, embora é bem provável que dominasse o italiano de Dante. Sem nunca ter viajado à Europa, Machado descreve os cafés de Paris em detalhes e raramente descreve O Porto ou Coimbra, um ambiente mais familiar aos seus amigos escritores imigrantes portugueses como Carolina, onde iam "estudar" Brás Cubas e outros filhos da oligarquia