O espaço e o tempo machadiano

 

Literatura e sociedade - século 19

 

As figuras da literatura: autor, texto e leitor

 

Objeto de pesquisa

 

Produção literária de Machado

 

Esta é uma obra aberta - participe

Antes da crise dos 40 anos Machado publicava mais de cinco contos anualmente. Em 1879 limita-se a dois, em 1880 a nenhum. Em 1881 publica o clássico O Alienista e em 1882 publica mais de dez.
somente três meses depois do seu lançamento na França já era publicado no Rio. Esta rapidez prova a capacidade de trabalho do tradutor bem como da ligação que Machado e o Rio literário tinha com Paris após o estabelecimento de linhas de navio a vapor entre a europa e o Brasil.

No prefácio de Esaú e Jacó (1904) ironiza os leitores que vão veranear em Petrópolis enquanto o autor usa suas horas de lazer para escrever

" Nos lazeres do ofício, escreveu o Memorial, que, aparado das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez de) para matar o tempo da barca de Petrópolis." a barca de Petrópolis atravessava a baía de Guanabara, onde os passageiros tomavam a locomotiva no Porto de Estrela para subir a serra. Não estranhe pois leitor se para subir a serra tomava-se um barco.

Como secretário do Ministério da Agricultura em 1874 ganhava por mês aproximadamente 350 mil réis (350$000), o equivalente hoje a R$ 3.000,00 , ao passo que na venda dos direitos autorais de Ressurreição (1972) para o editor Hyppolite Garnier recebeu 200 mil réis de adiantamento ou aproximadamente R$ 2.000,00)

Benedictus de Spinoza ( 1632-1677) autor da Ética (1677) Spinosa publicado em Ocidentais

Gosto de ver-te, grave e solitário,
Sob o fumo de esquálida candeia,
Nas mãos a ferramenta de operário,
E na cabeça a coruscante idéia.

 

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o pão diário
A tua mão a labutar granjeia

E achas na independência o teu salário.

 

Soem cá fora agitações e lutas,

Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

 

Sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno.

Machado (1870)