A política é a velhice precoce
Como crítico literário Machado não poupou o poeta Sílvio Romero e o realismo de Eça de Queiroz.. Na crítica ao escritor português demonstra sua aversão à escola realista. Mais tarde, através de uma elogiosa nota fúnebre , reconhece a importância de Eça e coloca-o no panteão da literatura portuguêsa, ao lado de Camões e Vieira.
Acusado, durante o modernismo, de omissão contra a escravidão e não acompanhar os parnasianos e realistas, adorosos republicanos, contra a monarquia. Como funcionário do Ministério da Agricutura Machado cautelosamente separava a vida política da literária e delas excluía a vida familiar. Depois dos escritos de juventude ao vinte anos, Machado não mais usa a arte como ferramenta da política, o que não significa abandonar o olhar agudo sobre a realidade social. Elogia o poeta Raimundo Correia , porém acautela que as idéias políticas aniquilam a inspiração poética. O abolicionismo era uma unânimidade entre os intelectuais e a queda do Império objeto de controvérsia.. Uma crônica, escrita por Machado um anos antes da República , utiliza a metáfora n uma frase em alemão para demostrar a preferência pela Monarquia. Temia o domínio da oligarquia após a queda do Imperador.
Numa crônica, escrita logo após o 13 de Maio, Machado mostra a hipocrisia dos donos de escravos. Um hipócrita senhor liberta seu escravo antes da Princesa Isabel, porém no dia seguinte dá-lhe um tapa por mal engraxar uma bota. Utiliza Gogol - Almas Mortas para mostrar como os libertos continuavam objetos de comércio após a libertação. Cético das virtudes humanas, procurava uma resposta para a origem da maldade e a escravidão era apenas uma das dominações possíveis de uns poucos sobre muitos.
Algumas crônicas de Machado são ensaios de antropologia bastante atuais. Que característica mais persistente em nosso caráter senão desobedecer às leis como um divertimento ? O que dizer então dos problemas do câmbio e dos economistas ? Nada mais atual que o desperdício dos recursos públicos e da falta de verbas. Machado era um progressista, na crítica ao imobilismo da burocracia da administração pública, e no elogio da ligação entre o Brasil e os Estados Unidos através do vapor. Critica de modo sutil a incompetência dos hospitais do Rio ao passo que elogia a sinceridade de um barbeiro que se declara incompetente para gerenciar uma barbearia. No campo literário, lamenta que os franceses sejam conservadores e prefiram Musset ao Carogne de Baudelaire, ao lamentar a morte de Dumas Filho acredita nos valores permanentes da literatura enquanto o modismo e o autor é transitóiro . A frase "a política é a velhice precoce" resume o pensamento de Machado sobre a política e os políticos.