| Textos | |
| De brevitae vitae - Da brevidade da vida | ~49 |
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Da Brevidade da Vida - a Paulino (adaptado das versões italianas e inglesas) |
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I.2 inde Aristotelis cum rerum natura exigentis minime conueniens sapienti uiro lis: aetatis illam animalibus tantum indulsisse, ut quina aut dena secula educerent: homini in tam multa ac magna genito tanto citeriorem terminum stare. 3 non exiguum temporis habemus, sed multum perdidimus. satis longa uita et in maximarum rerum consummationem: large data est, si tota bene conlocaretur. sed ubi per luxum ac neglegentiam diffluit, ubi nullae bonae rei inpenditur, ultima demum necessitate cogente, quam ire non intelleximus, transisse sentimus. |
I.2 daí o comentário, pouco inteligente para um sábio como Aristóteles, que contrapõe a vida humana com a natureza: "A natureza é generosa para com os animais, que podem viver por cinco ou dez gerações, enquanto aos homens existe um limite muito inferior, embora eles tenham grandes e inúmeras tarefas a executar" 3. Não é que tenhamos pouco tempo, é que o desperdiçamos muito. Uma vida é suficientemente longa para levar a cabo o cumprimento de grandes tarefas, ela nos é dada em ambundância caso seja toda ela dedicada a produzir frutos; porém quando se esvai na vida luxuosa, sem cuidados, quando é desperdiçada em coisas más, enfim quando não é dedicada somente às necessidades humanas, a vida, que não damos conta enquanto passa, já se foi quando dela nos percebemos. |
| Comentários |
| . como Aristóteles : (inde Aristotelis): Seneca busca um diálogo filosófico com a maior autoridade da filosofia grega, Aristóteles, e dele discorda tanto dele como da escola Peripatética de Teofastro, discípulo e seguidor da escola de Aristóteles a quem se atribui ao morrer a frase: " A Natureza é severa com os homens pois deu longa vida aos cervos e aos urubus". Conforme Hesíodo acreditava-se que "o urubu vive nove gerações de homens, o cervo quatro gerações de urubus". Podemos achar isto exagerado, porém a lenta tartaruga pode viver mais de 300 anos. Seneca atribui a frase a Aristóteles e não a Teofastro, pois somente o Mestre da escola peripatética poderia se igualar a Hipócrates. |
| contrapõe : (= exigentis): Como um estóico, Seneca acredita que a Natureza é uma divindade sempre sábia. O erro da escola peripatética consiste em julgá-la, contrapondo a razão humana à Natureza. A contradição apontada pela escola peripatética de Teofastro reside na constatação que os animais, cuja única tarefa é sobreviver, vivem muito mais do que os homens que têm a capacidade de aprender e mudam o destino com a força de vontade. |
| pouco tempo: (= exiguum temporis) : A frase latina de Seneca:" non exiguum temporis habemus, sed multum perdidimus " expressa com clareza seu pensamento. Ao contrário da escola peripatética de Teofastro, a vida não é breve. Não é que tenhamos pouco tempo, nós é que o desperdiçamos. Esta máxima de Sêneca e de um valor inestimável ao homem moderno que vive a correr em busca do tempo fugaz. |
| necessidades humanas : (= necessitate cogente): O tempo é bem gasto, o que significa ter uma longa vida, quando não é desperdiçado em busca de uma vida luxuosa e inútil. Ao contrário seu uso deve se limitar a preservar a vida, à cumprir as necessidades humanas básicas de alimentar-se, proteger-se dos perigos da natureza e dos outros homens e do sexo para a perpetuação da espécie. |